#32 - A Segunda Escravidão nas Américas

18/11/2021

Os primeiros africanos escravizados chegaram às Américas já no início da colonização. Os últimos, atravessaram o oceano Atlântico na segunda metade da década de 1860, quando Cuba interrompeu o infame tráfico. Em 1888, a abolição da escravatura no Brasil colocou um fim nessa história de quase 4 séculos.

Porém, historiadores vêm apontando que essa história não foi uma só e que o escravismo se adaptou a diferentes contextos americanos. Na tentativa de compreender melhor as características e as transformações da escravidão na América, alguns historiadores passaram a adotar o conceito de "Segunda Escravidão". Para eles, as mudanças ocorridas a partir do final do século XVIII, como as revoluções dos Estados Unidos e do Haiti, o processo de independência e formação dos Estados nacionais e as profundas transformações na economia relacionadas à Revolução Industrial teriam transformado a escravidão em nosso continente. Longe de se tornar uma instituição decadente, anacrônica ou incompatível com as mudanças que vinham ocorrendo no Ocidente, a escravidão teria se intensificado nestas partes da América durante o século XIX, que passou a se basear na exportação de mercadorias essenciais no período, como o café no caso brasileiro, o algodão no sul dos Estados Unidos e o açúcar em Cuba.

Nesse sentido, como ocorreu esse processo de transformação e intensificação da escravidão a partir do final do século XVIII? No que esta Segunda Escravidão difere da existente na América desde o início do período colonial? De que forma eventos como a Guerra de Secessão nos Estados Unidos e a Guerra do Paraguai na América do Sul impactaram na manutenção da escravidão em algumas partes do nosso continente?

Para responder a essas e outras questões, convidamos hoje Keila Grinberg, professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

O episódio já está disponível nas principais plataformas de podcast e também em nosso canal no Youtube. Esperamos que gostem do programa e deixem suas sugestões e críticas! Também não esqueçam de nos seguir em nossas redes sociais.


Dicas e links

Entrevista "História da Escravidão nas Américas", de Rafael Marquese

Livro "Guerra do Paraguai: escravidão e cidadania na formação do Exército", de Ricardo Salles (1990)

Livro "Escravidão e capitalismo histórico do século XIX: Cuba, Brasil e Estados Unidos", organizado por Rafael Marquese e Ricardo Salles (2016)

Livro "Pelo prisma da escravidão", de Dale W. Tomich (2011)

Livro "Capitalismo e escravidão", de Eric Williams (1944)

Filme "Doze anos de escravidão", de Steve McQueen (2013)

Livro "Nascidos na escravidão: Depoimentos norte-americanos", organizado por Tâmis Parron (2020)


Conheça nossa entrevistada

Keila Grinberg é Professora do Departamento de História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Doutora em História do Brasil (UFF, 2000, com estágio bolsa-sanduíche na Universidade de Maryland at College Park, 1998-1999), e possui pós-doutorado pela University of Michigan (2011-2012) e pela New York University (2017-2018). É professora do Programa de Pós-Graduação em História da UNIRIO e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de História, do qual foi vice-coordenadora local e da rede nacional (2014-2017). É pesquisadora do CNPq e Cientista do Nosso Estado da FAPERJ (2018-2020).

Seus principais campos de estudo são História do Brasil Imperial, Escravidão no Brasil e no Mundo Atlântico, Ensino de História, História Publica e Humanidades Digitais. Entre seus principais livros estão "Liberata: a lei da ambiguidade" (RJ, Relume Dumará, 1994), O Fiador dos Brasileiros: escravidão, cidadania e direito civil no tempo de Antonio Pereira Rebouças (RJ, Civilização Brasileira, 2002) e Slavery, Freedom and the Law in the Americas, com Sue Peabody (Boston / NY, Bedford Books, 2007), e a organização da coleção Brasil Imperial (RJ, Civilização Brasileira, 2009), com Ricardo Salles. Manteve as colunas mensais "Em Tempo" e "Máquina do Tempo" na revista Ciência Hoje online. Dedica-se à redação de livros de divulgação de História para o grande público e coordena, com Hebe Mattos e Martha Abreu, o projeto digital de História Pública Passados Presentes: memória da escravidão no Brasil (www.passadospresentes.com.br).