#4 - Fascismo e Antifascismo na História das Américas

Para muitos, quando as forças aliadas derrotaram o Eixo, pondo fim à Segunda Guerra Mundial em 1945, assistiu-se a derrota definitiva do Fascismo em escala global. Mesmo que países europeus como Portugal e Espanha ainda vivenciassem regimes autoritários, outrora simpáticos às políticas de Hitler e Mussolini, e que, nas Américas, algumas expressões fascistas pudessem ser notadas em práticas sociais e políticas de Estado, considerava-se que o monstro estava controlado e não representava mais um grande perigo.

Qual não foi a surpresa, quando, após a eclosão da crise econômica de 2008, o modelo neoliberal passou a ser questionado não mais pela esquerda, como era de praxe até então, mas por grupos autoritários, xenófobos, racistas e misóginos, ancorados por um discurso nacionalista e violento, muitas vezes circundado por aspectos religiosos. As práticas de vários desses grupos e a ascensão de muitos líderes com essas características em países como a Hungria, as Filipinas, a Índia, os Estados Unidos e o Brasil levantaram a questão: estamos falando no retorno do fascismo?

Da mesma forma, na esteira da crítica a esse novo modelo de atuação encontrado pela extrema-direita em todo o mundo, movimentos de oposição também vêm procurando seu tom. Embora renovados pelas pautas exigidas pelas demandas do século XXI, ao reconhecer o fascismo como o mau que deve ser combatido em nossos tempos, esses grupos têm retomado, literalmente, a bandeira do Antifascismo.

Ressignificados, nos dias atuais, Fascismo e Antifascismo têm uma longa história não somente em países comumente associados a esses processos como Itália e Alemanha, mas também encontrando forte ressonância nas Américas.

Em meio à crise do liberalismo vivenciada pelo Ocidente na década de 1930, diversos governos latino-americanos buscaram inspiração nas práticas fascistas para imporem sobre seus países projetos autoritários. A Alemanha nazista, a Itália fascista e a Espanha franquista serviram de inspiração, nesses países, não somente a imigrantes, mas a muitos nativos que partilhavam dessas ideias. Muitos não sabem, mas Buenos Aires foi palco do maior evento nazista fora da Europa, quando milhares de pessoas se reuniram, no estádio Luna Park, para demonstrar apoio ao Führer em 1938, no contexto da anexação da Áustria ao Reich.

Da mesma forma, grupos de oposição, não necessariamente de esquerda, encontraram no antifascismo a bandeira comum para lutarem contra regimes autoritários. Para esses grupos, a luta entre Republicanos e Falangistas na Guerra Civil Espanhola (1936-1939) serviu de elemento aglutinador na luta antifascista, unindo militantes, sindicalistas, políticos, intelectuais, artistas e tantos outros grupos dos dois lados do Atlântico a essa causa comum. Após o fim do conflito que culminou com a vitória de Francisco Franco e do fascismo na Espanha, muitos exilados vieram à América Latina, contribuindo para a formação de uma grande rede antifascista transnacional.

Para discutir essas e outras questões, entrevistamos a historiadora Ângela Meirelles de Oliveira, professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), especialista nas redes antifascistas no Cone Sul na década de 1930.

Desejamos a todos que aproveitem a entrevista!

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Imagem do Episódio:

Manifestação antifascista, ocorrida em Montevidéu, em 20 de dezembro de 1938, Disponível no livro VVAA. Voluntarios de la libertad. Las Brigadas Internacionales. Castilla-La Mancha: Consejería de Educación y Cultura y Asociación de Amigos de las Brigadas Internacionales, 1999. Disponível em: https://www.hemisferioizquierdo.uy. Acesso em 22/07/2020.


Dicas do programa Hora Americana e links

Livro Complô contra a América de Philip Roth

Livro Memórias do cárcere de Graciliano Ramos

Livro O eterno fascismo de Umberto Eco 

Filme El Mural de Héctor Oliveira 


Conheça nossa entrevistada 

Ângela Meirelles de Oliveira é professora adjunta de História das Américas do curso de Licenciatura em História da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). É doutora pelo programa de História Social da Universidade de São Paulo, com estágio doutoral no Institut des hautes études de l'Amérique latine, mestre em Integração da América Latina em 2005 e licenciada e bacharel pela mesma universidade. Concluiu estágio pós-doutoral na Universidade de São Paulo, pelo Programa Nacional de Pós-doutorado. (PNPD/ CAPES). Tem experiência na área de História Política da América Latina, já tendo lecionado disciplinas como História da América e do Brasil, entre outras. 

Ângela também é autora do livro " Palavras como Balas. Imprensa e intelectuais antifascistas no Cone Sul"